quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Como ajudar o professor a fazer um diagnóstico dos saberes da turma de 4 e 5 anos?


Em qualquer turma de Educação Infantil, o professor precisa ter 
dois conhecimentos fundamentais para elaborar o planejamento 
das atividades de qualquer eixo de aprendizagem. 
São eles:
  1. Conhecer muito bem quais são as expectativas de a
prendizagem de cada eixo da Educação Infantil;
        2. Conhecer os saberes de sua turma e de cada criança 
nos diferentes eixos.

O primeiro aspecto é fruto de estudos constantes e da elaboração 
nível e eixo. Cabe ao coordenador pedagógico fazer as formações 
continuadas para que os professores tenham uma clareza, cada 
vez maior, dos conteúdos de aprendizagem. O segundo item precisa 
de um planejamento específico de atividades diagnósticas por 
eixo e é sobre ele que falarei no texto de hoje.
Diagnóstico dos saberes
Na semana passada, falei sobre a importância de realizar essas
 atividades alguns dias após o retorno das férias. Esse período é 
essencial para a adaptação das crianças à rotina escolar e para 
o professor conseguir repertoriar os pequenos com jogos, 
brincadeiras e situações de oralidade, arte, matemática, leitura 
e escrita.
Bem, passado esse período de mergulho na rotina, é hora de 
mapear os saberes da turma. Para tanto, é preciso ter alguns 
focos definidos por nível e por eixo. 
Vocês podem ver um exemplo de quadro diagnóstico clicando aqui.
Para saber quais são os conhecimentos reais de cada criança, 
será preciso planejar atividades que ela faça sem qualquer 
intervenção do professor. Isso é importantíssimo! A criança 
precisa realizar a tarefa demonstrando o que sabe e o que 
precisará aprender. Caso o professor dê uma dica ou direcione 
para consultas, a situação deixará de ser de diagnóstico e 
passará a ser de aprendizagem.
As contribuições de Lev Vygotsky
O psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1986-1934) deu uma 
grande contribuição à Educação em relação a esse assunto 
quando diferenciou a zona de conhecimento proximal da zona 
de conhecimento real. A primeira é o que a criança é capaz 
de fazer com ajuda do professor, por exemplo, e a segunda é 
o que ela sabe fazer com a autonomia.
Um exemplo claro disso é quando pedimos para uma criança 
pequena quantificar uma coleção de objetos. Se o professor 
orientá-la a organizar as peças linearmente e ajudá-la a se l
embrar dos números rasos (20 e 30, por exemplo), ela certamente 
quantificará corretamente. Entretanto, se não houver qualquer 
intervenção do professor, ela se “atrapalha” e conta cada objeto 
mais de uma vez, assim como se equivoca ao recitar a sequência 
numérica.
Na primeira situação, podemos dizer que o conhecimento de 
quantificar está na zona de conhecimento proximal, enquanto 
a segunda situação se relaciona com o conceito de zona de 
conhecimento real.
Como propor a atividade diagnóstica para as crianças
Um jeito bacana de fazer isso é compartilhar com os pequenos 
falando algo mais ou menos assim:
“Turma, eu estou muito contente de observar como vocês são 
espertos e já sabem muitas coisas! Então, hoje nós vamos fazer 
algumas atividades para que eu possa registrar o tanto que vocês 
já sabem. Por isso, cada um vai fazer do seu jeito. Vou explicar, 
mas não vou ajudar. E também só hoje não vale perguntar para o 
amigo, tudo bem?”
Para fazer isso, o professor precisará estar atento e observar 
os procedimentos de cada criança. Esse trabalho pode ficar mais 
fácil se a sala for dividida em grupinhos ou em dois grupos. 
Há de se registrar todos os dados obtidos para ter conhecimento 
de quais são os saberes dos pequenos. Assim, será possível 
planejar atividades ajustadas para os diferentes agrupamentos 
de crianças.
Retirado da Revista Gestão Escolar

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